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| Luta pró-democracia em Hong Kong sem reflexos para Macau | | O mesmo sistema, duas realidades |
| Isabel Castro Island Ian -- | |
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Macau nunca poderá ser indiferente ao que se passa em Hong Kong, mas a dinâmica da região administrativa especial vizinha em torno da democracia dificilmente contagiará a RAEM. Porque são comunidades com características próprias, porque têm preocupações distintas, porque cada uma tem diferentes graus de maturidade política. Na análise à manifestação de domingo passado em Hong Kong, esta é uma opinião mais ou menos consensual, das associações tradicionais àquelas que assumem a democracia como principal batalha política.
“Macau e Hong Kong são regiões administrativas especiais, com o mesmo estatuto político, pelo que o que se passa lá terá sempre, como é óbvio, impacto na RAEM,” assinalou Paul Pun, candidato às eleições legislativas de Setembro passado e defensor da democratização da RAEM. Para Pun, “a questão que se coloca sempre nestas alturas é que a maturidade política e cívica de Hong Kong é maior.” “As pessoas em Macau têm a tendência a aceitar passivamente o que lhes é dado,” considerou, em declarações ao Hoje Macau.
Ng Kuok Cheong, deputado à Assembleia Legislativa e membro da Associação Novo Macau Democrático, participou na manifestação de domingo passado em Hong Kong, que levou muitos milhares de pessoas para a rua. Um cenário que muito dificilmente se poderia ver na RAEM: “Comparativamente com Hong Kong, a sociedade de Macau tem um nível de consciência cívica muito baixo. Seria muito difícil que as pessoas saissem para a rua para lutar pela democracia.” O deputado, que recebeu com desagrado a decisão do Chefe do Executivo de levar a cabo uma auscultação pública sobre a matéria no segundo semestre de 2007, é defensor de uma agenda política diferente, sustentando que no próximo ano Macau deveria dar já os primeiros passos para a reforma do sistema político.
Efeitos limitados
“A posição de Macau relativamente aos processos de evolução democrática passa por tudo o que, no futuro, acontecer em Hong Kong.” A convicção é de Pereira Coutinho que, tal como Pun e Ng, lembra os ritmos e contextos distintos das duas regiões administrativas especiais. De qualquer forma, há uma “realidade” que o deputado entende não se poder esquecer: “Macau está sempre dependente do que acontece em Hong Kong, foi assim no passado, é agora e acontecerá no futuro.”
Já Pang Vai Kam, um dos responsáveis da Associação Geral dos Operários de Macau (AGOM), se afasta desta perspectiva, dando como argumento as diferenças sociais e as prioridades distintas entre as duas regiões. “A manifestação de domingo em Hong Kong e as possíveis consequências que venha a ter podem levar Macau a repensar a questão do sufrágio directo universal, mas estamos a lidar com duas realidades diferentes.” Para o director do Conselho de Assuntos Sociais da AGOM, “tudo depende da vontade dos residentes de Macau.”
É precisamente nessa “vontade” que reside a diferença, segundo a análise de Leong Heng Kao, vce-presidente dos Kai Fong, a União Geral das Associações de Moradores de Macau. “A qualidade de vida e a evolução da economia são as questões que, neste momento, mais preocupam a população, que concorda com a agenda definida pelo Chefe do Executivo em relação à asucultação pública sobre a reforma do sistema político,” salientou.
Sales Marques, candidato às eleições legislativas de Setembro passado e presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau, também não acredita que a manifestação de Hong Kong tenha repercussões ao nível da discussão política local. “São situações diferentes e comunidades distintas.” Quanto às consequências do protesto de rua para a própria evolução do sistema de Hong Kong, Sales Marques mostra-se igualmente céptico. “Donald Tsang tem uma margem de manobra limitada,” notou.
Já Paul Pun acredita que Pequim não será indiferente à manifestação de domingo passado, porque “as convicções da população influenciam o Governo Central.” Pun reconhece que “as manifestações não são o melhor meio de comunicação, mas Pequim está atento à opinião pública de Hong Kong.” Para Ng Kuok Cheong, qualquer previsão sobre possíveis consequências é, para já, precipitada. “Ainda é muito cedo para prever resultados desta manifestação, mas foi transmitida uma mensagem muito positiva sobre a necessidade de democracia.” Pereira Coutinho sublinha que se “vive uma encruzilhada” em Hong Kong, demonstrando a esperança de que “no futuro próximo a situação possa ser resolvida, a bem da estabilidade política local.” |
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