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| Instalações autónomas da Escola de Música abrem em Setembro | | Candidatos a artistas sem palco |
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A Escola de Dança e Teatro têm instalações autónomas. Em Setembro abrirão as novas instalações da Escola de Música. Continua, contudo, a ser insuficiente. Face a um número crescente de alunos que querem ingressar no Conservatório de Macau, há que arranjar mais espaço. E, sobretudo, um grande auditório.
Luciana Leitão
Um palacete cor-de-rosa. Pequeno. Que já só alberga a Escola de Música do Conservatório de Macau. À espera que o Governo ceda um terreno onde possa ser construído um único “campus” que junte a Escola de Dança, Teatro e Música, e que tenha “um auditório grande para ensaios e espectáculos”, o Conservatório de Macau vai sobrevivendo. O director do organismo não desanima. E afirma que o Executivo tem sido “generoso”.
De 1989 até aos dias de hoje, possibilitou um espaço autónomo para que se realizem as aulas de dança e outro destinado às aulas de teatro. E, a partir de Setembro, haverá também um outro edifício, junto à Praça Tap Seac, que servirá para albergar os alunos e professores da Escola de Música. Satisfeito com as instalações que têm vindo a ser concedidas pelo Governo, em declarações ao Hoje Macau, Leung Hio Ming não deixa de confessar que fica aquém do necessário.
A Escola de Música do Conservatório de Macau situa-se na Avenida Horta e Costa, num edifício antigo, de corredores estreitos, salas exíguas, onde ecoa música por todo o lado. Em 1989, quando o Conservatório ali foi instalado a título provisório, era o edifício onde se concentravam todas as aulas, antes da Escola de Dança e de Teatro ganharem as suas próprias instalações. Mas o Conservatório passou por muito e sofreu “uma grande evolução”, fruto da batalha diária de quem ali trabalha. Que foi insistindo junto do Governo, apresentando relatórios que atestam “o sucesso” e justificaram algumas “cedências”. Falta, contudo, mais espaço. A culpa não é de ninguém, afirma Leung Hio Ming. “Nunca ninguém imaginou que iríamos passar de 200 para 1800 alunos”, explica.
Depois de ter concluído os estudos de piano nos EUA, Leung Hio Ming regressou a Macau para trabalhar no Conservatório. “Quando vim trabalhar aqui em 1995, a escola quase não tinha alunos e o espaço era suficiente”, afirma. Aliás, na altura, obter mais espaço não era a “questão essencial”. Havia primeiro que “elevar os padrões de qualidade” para depois batalhar junto do Governo por mais espaço. “Temos que atingir certos objectivos antes que o Executivo queira investir na escola”, defende. Por exemplo, “os estudantes do Conservatório raramente entravam em competições musicais mas, por volta de 1997, depois de vários anos de treino, começaram a conseguir participar”. E, hoje em dia, “participam e os resultados são muito bons”, garante.
Actualmente, o Conservatório já atingiu o “seu limite”. Se quiser aceitar mais do que 1800 alunos, “não há salas de aula suficientes”, além de “não haver professores suficientes”. Nem por isso Leung Hio Ming deixa de “louvar o apoio” do Governo. Além de ter cedido espaços próprios para as Escolas de Teatro e Dança, também irá abrir um novo edifício para albergar a Escola de Música. “Temos estado a fazer a renovação e devemos abrir em Setembro”, adianta.
Falta um grande auditório
Actualmente, o maior problema com que se depara o Conservatório de Macau é a “falta de um auditório grande ou de uma sala grande para ensaios e espectáculos”. No caso da Escola de Música, por exemplo, no espaço onde actualmente decorrem as aulas, “há uma sala grande, que dá, no máximo, para 50 ou 60 músicos – mas não se ouve bem”.
Quando se mudar para as novas instalações, nem isso terá. “Não tem uma sala [grande] de ensaios”, diz. Um problema que se poderá repercutir nos ensaios da orquestra. “Temos duas [orquestras] de instrumentos ocidentais – uma sénior e outra júnior – e uma chinesa, mas só actuam no interior da escola”, explica.
No caso da Escola de Teatro – cujas novas instalações entraram em funcionamento em 2007 -, normalmente é necessário “o palco do Centro Cultural de Macau” para a realização de espectáculos, já que a sala grande que possui “tem uma área tão grande como o auditório pequeno do CCM”. Falta-lhes, por isso, “um sítio para actuar”.
Por isso, Leung Hio Ming espera que “o Governo ceda um pouco de terreno para construir um novo Conservatório – onde estejam concentradas as três escolas - construído à volta de um palco. Sem um grande auditório nunca poderá ser uma escola de artes performativas”. Contudo, “depois de conseguirmos certos resultados, pode ser que nos dêem um novo campus”, espera.
Não havendo um auditório, salas de aula e docentes suficientes, há que jogar com as limitações. “Enquanto Escola do Governo, regemo-nos por um princípio: o de que não devemos competir com as instituições privadas. Por isso, se os alunos tiverem bastante oferta lá fora no que toca a certos instrumentos musicais, não iremos abrir muitas vagas. É o caso do piano, que conta com apenas 30 alunos”, explica.
Música também profissionalizante
Tirando o curso de dança que já é “profissionalizante”, o ensino do Conservatório ainda é “amador”. No próximo ano também a música seguirá os passos da dança. Quanto ao teatro, é uma hipótese que ainda está a ser estudada. “Quando se aprende música ou dança, os alunos têm de começar desde pequenos. Não é o caso do teatro que se pode desenvolver quando já são adultos”, explica.
A Escola de Dança ministra, além do Curso Médio de Formação Profissional em Dança em Regime Completo destinado à preparação de bailarinos, vários cursos de ensino geral destinados aos meros entusiastas, entre os quase se contam os cursos de Dança Chinesa e de Ballet. Foi a primeira modalidade a ser alvo de “profissionalização”, porque um praticante de dança tem necessariamente de “ensaiar em conjunto”, não sendo viável que “pratique sozinho em casa”. Algo que não sucede com os estudantes de música, já que estes “têm de praticar intensivamente sozinhos em casa”, sejam profissionais ou amadores.
Assim, no que toca às aulas que fazem parte do currículo obrigatório definido pela Direcção dos Serviços para a Educação e Juventude (DSEJ), são “contratadas algumas pessoas para funcionarem como conselheiros especiais – por exemplo, temos o presidente do Conselho Pedagógico da Universidade de Macau como conselheiro de inglês, um escritor famoso como conselheiro de chinês, um professor famoso como conselheiro de matemática”. Cabe a estes conselheiros supervisionar o plano das disciplinas, os exames e escolher os docentes a tempo inteiro que irão leccionar no Conservatório de Macau. No que toca à componente da dança, a avaliação é feita “nos mesmos moldes da Escola de Dança de Xangai, convidando-se ainda os docentes desta escola, para examinar os alunos de Macau”.
Quanto aos cursos “amadores” leccionados pela Escola de Música, incluem a aprendizagem de diferentes instrumentos ocidentais, como o oboé, a trompa e trompete, e chineses, como o zhongruan, suona e guanzi. Contam-se ainda aulas de Teoria Musical e Apreciação da História da Música. No caso da Escola de Teatro, fazem parte do currículo cursos de Teatro para Jovens, Teatro para Crianças, Representação, Dramaturgia e Encenação, além de Educação Teatral.
O reconhecimento lá fora
Mas serão os cursos do Conservatório reconhecidos fora de Macau? Para responder a esta pergunta, há que fazer duas distinções. “No caso do curso de dança – o único que é profissionalizante -, o curso do Conservatório tem a vantagem de ser leccionado por uma escola do Governo. Como tal, o aluno recebe o diploma de que completou o ensino secundário que é reconhecido em todo o mundo. Além disso, também tem direito a um diploma da Escola de Dança de xangai, que dá a possibilidade de trabalhar em qualquer ponto do mundo”.
Tratando-se dos “cursos amadores”, então os alunos “terão direito a certificados do Conservatório no fim dos estudos”. Claro que, em última análise, caso queiram prosseguir os estudos artísticos numa instituição qualquer, “deverão ser submetidos a provas nos respectivos estabelecimentos para serem aceites”.
Contente com a evolução ao longo dos tempos dos alunos do Conservatório de Macau, Leung Hio Ming apercebe-se, contudo, que continua a faltar uma Escola Superior para qualquer uma destas três modalidades. “Queremos, mas também temos de proceder a investigação”, diz. Afinal, dos 1800 estudantes que actualmente frequentam os cursos do Conservatório, “poucos” são aqueles que deverão seguir profissionalmente a área artística. Será que justifica criar uma Escola Superior? “Não está certo criar esse estabelecimento só para 20 ou 30 alunos”, remata. |
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