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| Uma história de xeques-mates |
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O mundo do xadrez parece ter deixado para trás os seus tempos mais conturbados, tempos em que iguais combates ofereciam nítida conotação política ou tínhamos dois campeões em simultâneo.
Dos anos 70 a 90, por exemplo, foram politizados os casos do match do século (Fisher-Spassky) que colocava frente a frente os protagonistas da Guerra Fria e os matches entre o aparatchik soviético (Karpov) e o dissidente (Korchnoi) ou o azeri (Kasparov).
Nos anos 90, assistimos a um cisma no mundo do xadrez, quando o então campeão mundial, Garri Kasparov, colocou o seu título em disputa à margem da FIDE (Federação Internacional de Xadrez, na denominação francesa) e este organismo ripostou retirando-lhe o reconhecimento oficial do seu título e organizando o seu próprio match, entre candidatos de legitimidade duvidosa.
Esta situação perdurou de 1993 até 2005, quando os herdeiros de cada um dos dois movimentos, Vladimir Kramnik (sucessor de Kasparov) e Veselin Topalov (campeão da FIDE) aceitaram realizar um match de reunificação do título. Foi então que ocorreu o tristemente célebre “Toiletgate”. Quando o xadrez estava em festa e em pleno match, Topalov, então a perder por dois pontos, acusou Kramnik de recorrer à ajuda de computadores durante as partidas quando ia à casa de banho. Sem qualquer prova.
A surpresa aconteceu quando o Comité da FIDE decidiu analisar todos os vídeos de Kramnik na sua saleta de descanso privada existente no local onde se disputavam os matches e, ainda, facultá-los ao grupo de Topalov, em violação do que as partes haviam contratado. Para finalizar, inspeccionou as casas de banho privadas e fechou-as, facultando uma casa de banho comum aos dois adversários (é hilariante, mas ao mesmo tempo triste).
Claro que nada foi encontrado e note-se que os adversários sempre tinham sido revistados antes de começarem as partidas, estavam isolados do público e até havia uma engenhoca qualquer que criava uma interferência electromagnética que inviabilizava quaisquer veleidades com telemóveis, microfones... o que quer que imaginem.
Depois foi o que se sabe. Na partida seguinte a estas medidas, Kramnik chegou e sentou-se em frente à sua antiga casa de banho privada. Por uma questão de princípio, recusou-se então a jogar a menos que os árbitros reabrissem as casas de banho particulares dos jogadores. E, como tal não aconteceu, foi ver o tempo regulamentar a passar e Kramnik não se mexer até perder por tempo.
Pensou-se que era o fim do campeonato mas, talvez pelas posições de apoio da generalidade dos colegas em mensagens, artigos, blogs, etc., Kramnik efectuou o resto do match sob protesto, acabando por o ganhar.
Entretanto, a FIDE resolveu mudar o formato do campeonato do mundo para uma espécie de torneio com os oito melhores jogadores do mundo, o qual foi, então, ganho pelo indiano Anand, tendo Kramnik ficado em segundo lugar.
Depois, decidiu-se voltar ao formato clássico do match a ser disputado entre o campeão e um candidato, em princípio, vitorioso sobre os demais candidatos. E eis que chegamos, então, a este “match”. |
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