Director: Carlos Morais José
 

--- 24-10-2008 ---
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Problemas Globais discutidos em Pequim na véspera do encontro Ásia/Europa

Durão quer Ásia a bordo

Durão Barroso fez o primeiro discurso em Pequim antes da abertura da ASEM. Para o Presidente da Comissão Europeia a crise financeira é um problema de todos. E a Ásia é fundamental para uma reforma necessária do sistema financeiro global.

Maria João Belchior

“Enfrentamos desafios sérios todos juntos” disse o presidente da Comissão Europeia que, na semana passada, se reuniu em Camp David com George Bush e Sarkozy. Agora na China, Durão Barroso disse que “temos de tirar lições desta crise”. Mais do que nunca, é preciso uma reforma do sistema financeiro global, uma ideia também partilhada por Bush e Sarkozy. Um discurso com a tónica na crise financeira. Durão Barroso falou em conferência de imprensa em Pequim, momentos após a sua chegada à China onde veio em virtude da ASEM.
No maior encontro de sempre da ASEM, com 43 países, o momento que se vive tem uma leitura simples para Durão Barroso que disse “ou nos sentamos todos juntos, ou nos afundamos juntos.”
Dizendo que ninguém está imune aos efeitos da crise, Durão Barroso garantiu que vai colocar a questão aos líderes chineses, Hu Jintao e Wen Jiabao.
Para além da crise, o encontro Ásia Europa pretende focar-se igualmente nas alterações climáticas, segurança energética e coesão social. “As alterações climáticas continuam a ser tão importantes agora como antes da crise financeira” disse Durão. Segundo as previsões mundiais, a continuar o mesmo nível de consumo energético actual, em 2030 a procura energética vai possivelmente ser cinquenta por cento mais alta. Petróleo, carvão e gás devem ter de vir a ser substituídos por novas energias mais limpas. Para o Presidente da Comissão Europeia, o investimento em tecnologias não deve ser visto como um “peso financeiro mas como uma oportunidade para o futuro”.

Procura de uma resposta global
Com uma cimeira mundial já marcada para 15 de Novembro em Washington, o sentido de emergência está cada vez mais latente no mundo. A China deve estar presente ao lado de outros grandes actores mundiais, defendeu ainda Durão.
A ASEM, que acontece nesta altura crítica,. Funcionará como um aquecimento ao tema que, pelas declarações de Durão Barroso, terá de levar a uma reforma do sistema financeiro global. As desigualdades económicas e sociais foram lembradas pelo presidente da Comissão Europeia
Durão Barroso disse ainda que a Comissão não vai esquecer de falar na questão dos direitos humanos. A declaração do presidente foi feita horas antes do Parlamento Europeu conceder ao dissidente Hu Jia o Prémio Sakharov (ver página ao lado) como uma forma de reconhecer a luta pela liberdade por todos os defensores dos direitos humanos chineses. Sem declarações até ao final do primeiro dia na China, Durão Barroso não comentou a atribuição do prémio e entre a Comissão falava-se apenas que o Parlamento e esta são dois órgãos distintos.
Este ano, relembrou Durão Barroso, assinala-se o 60º aniversário da Declaração dos Direitos do Homem. Mas apesar de ser um tema de especial importância e onde a Comissão diz já ter diálogos com vários países, Durão Barroso não fez nenhuma declaração em particular sobre quais as questões e de que países será mais relevante falar.
Os 43 países juntos representam metade do Produto Nacional Bruto mundial, mais de metade da população mundial e 60 por cento do comércio global. Para a Comissão Europeia este é um exemplo claro de que ninguém fica de fora da crise, resultado de alguns erros do sistema financeiro. “Hoje mais do que nunca é preciso regular a economia”. Na medida em que os países” estão financeiramente mais unidos do que pode parecer”, Durão Barroso alertou para a necessidade de evitar o proteccionismo. “É preciso fazer exactamente o contrário e não fechar as economias” disse. Em antecipação dos dois dias de reuniões, o Presidente da Comissão deixou o aviso. “A China pode dar uma contribuição importante para a resolução da crise financeira”. Resta saber de que forma isto irá acontecer.