| |
|

|
| Para gerir Livraria Portuguesa | | “Casa de Portugal não seria má aposta” |
|
|
|
Assinou a petição da Casa de Portugal de Macau (CPM)?
Claro. Não faz sentido atirar a Livraria Portuguesa – que duvido que venha a ser de facto a continuação da Livraria que foi fundada, no meu tempo, pelo Instituto Cultural (IC) – para um beco qualquer. Isto é desprover Portugal em Macau. Era bom que o Governo português tivesse consciência disso.
E o projecto que foi traçado pelo IC para a Livraria Portuguesa foi cumprido?
Foi e em condições não tão gravosas para os clientes como actualmente. O IC teve capacidade para não onerar o preço dos livros. A partir da altura em que exploração da Livraria foi entregue a um antigo presidente do IPOR, os preços ficaram mais elevados. Tenho dúvidas que aquilo que está a ser pensado seja o seguimento do projecto do IC. A perspectiva está mais acentuada no incremento de eventuais lucros ou, pelo menos, na eliminação de custos: é anunciada a venda de livros de editoras de outras origens e escritos noutras línguas. Nós, na Livraria Portuguesa, sempre privilegiámos o livro português.
Mas há poucos clientes. E as actividades culturais têm escasseado.
Porque a Livraria transitou do IC para o IPOR. Isto coincidiu com o próprio definhamento dos programas de acção cultural – que existem quer nos estatutos da FO quer nos objectivos do IPOR. Resulta de um propósito deliberado de reduzir custos e definhar a acção cultural portuguesa em Macau. Todavia, no tempo da ex-presidente do IPOR Helena Rodrigues assisti – e participei – em conferências, mesas redondas e lançamento de livros. Não digo que fosse a um ritmo alucinante. Mas era uma programação perfeitamente aceitável.
Na petição, a CPM também se opõe à concessão da livraria a um novo privado. Concorda?
Essa é uma questão de somenos. Percebo que o IPOR não possa ter a exploração directa da livraria e que a concessione a um particular. Tudo depende do acordo que for estabelecido. A concessão que tem vigorado desde a transferência da livraria para o IPOR não me parece transparente. Por exemplo, em termos de imóvel, refere-se a cave, o rés-do-chão e a sobreloja. Mas existe um andar (não sei se o sexto ou sétimo) que nunca é mencionado. Não sei se já foi alienado.
A CPM poderia assumir a gestão da livraria?
Não seria má aposta. Tem dado provas de grande actividade, de alguma mobilização no seio das comunidades residentes em Macau que se exprimem em Português. A própria petição é uma prova desse dinamismo. Se a CPM tem disponibilidade, porque não? Tudo depende das condições.
Como se pode tornar a língua e cultura portuguesa mais rentáveis?
Não me parece que a questão escape à lei da oferta e da procura. Isto é, a língua e a cultura portuguesas existirão onde houver produtores e consumidores. Agora, virarmos as costas àqueles que querem aprender português ou transformarmos a Livraria Portuguesa numa livraria internacional, com muito peso do livro editado em inglês por ser o que tem mais mercado... por aí é que não se vai lá. De certeza absoluta. É preciso saber o que se quer: ganhar dinheiro, ou fazer alguma coisa para difusão da língua portuguesa e das culturas lusófonas? Se for para ganhar dinheiro, então, não vendam nenhum livro editado em português. |
|
|
|