Director: Carlos Morais José
 

--- 09-03-2009 ---
O medicamento da morte
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Serviços de Saúde suspendem venda de Allopurinol

O medicamento da morte

Apesar dos quatro lotes de Allopurinol contaminados com um fungo mortal não terem sido enviados para Macau, os Serviços de Saúde decidiram retirar o medicamento do mercado. Entretanto, os outros medicamentos produzidos pelo mesmo laboratório de Hong Kong e disponíveis na RAEM vão ser alvo de testes de qualidade

Os Serviços de Saúde anunciaram no sábado a retirada do mercado do medicamento Allopurinol produzido pela Europharm Laboratories, de Hong Kong. A decisão surge após cinco pessoas terem morrido na antiga colónia britânica, alegadamente devido à ingestão de Allopurinol contaminado com um fungo mortal.
De acordo com uma nota dos Serviços de Saúde, foi requerido aos importadores e exportadores de medicamentos que retirem do mercado todos os lotes de Allopurinol produzido pela empresa de Hong Kong. Isto apesar dos quatro lotes do medicamento que terão estado na base das mortes não terem sido exportados para Macau. No entanto, os Serviços de Saúde justificam a decisão como uma medida de precaução.
Segundo o comunicado, as autoridades locais vão agora testar amostras de outros medicamentos comercializados em Macau produzidos pela Europharm Laboratories. Os resultados serão depois divulgados publicamente.
Além da retirada do Allopurinol do mercado, as autoridades locais também urgiram as farmácias, instituições médicas e clínicas privadas a não fornecerem este medicamento aos pacientes. Aos residentes a tomarem esta droga, os Serviços de Saúde pedem que parem o tratamento e procurem um substituto junto dos respectivos médicos.

Fungo assusta
Do outro lado do delta, as autoridades da RAEHK já pediram à população para não tomar o medicamento em causa, devido às suspeitas que esteja infectado com um fungo que pode causar mucormicoses fatais. A gravidade da doença depende do local da infecção e do sistema imunitário da vítima.
A mucormicose é uma infecção oportunista rara causada por fungos da ordem dos Mucorales, sendo o “rhizopus” o género mais comum (70 por cento dos casos). Esta é uma infecção fúngica invasiva aguda que pode apresentar-se na forma disseminada, cutânea, pulmonar, gastrointestinal e rino-órbito-cerebral (forma mais comum). A mucormicose é uma emergência médica e o tratamento consiste na cirurgia para remoção do tecido afectado e no uso de anti-fúngicos sistémicos. Mesmo com a terapêutica adequada, a taxa de mortalidade ronda os 40 por cento.
O Allopurinol é usado primariamente para tratar casos de gota, causada por excesso de ácido úrico no sangue. O uso desta droga é também comum entre os pacientes de leucemia, nomeadamente quando se submetem a quimioterapia.
De acordo com as autoridades de Hong Kong, nos lotes de Allopurinol retirados do mercado, as concentrações do fungo “Rhizopus microsporus”, que estará na base das mucormicoses fatais ocorridas naquele território, eram cem vezes superior ao permitido. Pelo menos 40 mil doentes em Hong Kong foram tratados com este medicamento, muitos deles com baixos níveis de defesas imunitárias, devido a padecerem de leucemia.
A ligação entre as mortes e o Allopurinol foi estabelecida após uma sequência de cinco mortes misteriosas verificadas no Queen Mary Hospital de Hong Kong nos últimos meses. Os exames médicos chegaram à conclusão que as vítimas mortais padeciam todas de mucormicose gastrointestinal. O caso parecia sem solução, depois das autoridades terem excluído as hipóteses da origem da infecção estar relacionada com comida vendida na cadeia de lojas “7-Eleven” ou com pauzinhos de madeira.
A Europharm, que comercializa 41 tipos de drogas, produz o Allopurinol há 21 anos. A contaminação pode ter acontecido devido à eventual falta de supervisão no que toca ao processo produtivo.