Director: Carlos Morais José
 

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Expo Xangai abre as portas amanhã com opiniões divididas

À grande e à chinesa

Num dos regressos mais aguardados do ano entre as adolescentes chinesas, o Xangai Grand Stage encheu-se de feromonas na passada sexta-feira para receber os Backstreet Boys. Nas duas horas de concerto, os rapazes tocaram 21 músicas e fizeram disparar os níveis de histeria entre a audiência aos primeiros acordes do sucesso ‘I Want It That Way’. A música capta de forma bastante particular o ar do tempo na maior metrópole chinesa.
Nas últimas três semanas, Xangai inaugurou três novas linhas de metro - o que faz da sua a maior rede de metropolitano do mundo com 420 quilómetros de extensão -, um novíssimo terminal de aeroporto, e completou um ‘facelift’ de 5400 milhões de patacas na zona ribeirinha. A grande metrópole chinesa não poupou um yuan no esforço de se afirmar como novo pólo de poder global, a pretexto daquela que será a maior, mais cara e talvez melhor feira internacional de todos os tempos: a Expo Xangai 2010.
Para que não restem dúvidas sobre as verdadeiras intenções chinesas, Xangai prepara-se para mostrar ao mundo uma réplica da mascote de Wall Street, o "Touro a Investir", em bronze e duas vezes maior do que o irmão nova-iorquino. "É mais novo e mais enérgico, simbolizará a vitalidade da economia de Xangai. E terá a cabeça a olhar para cima, enquanto o touro de Wall Street olha para baixo", diz à Newsweek Zhou Wie, membro de um governo local.
A exposição de Xangai, a primeira num país emergente, abre amanhã e tenta ressuscitar, até 31 de Outubro, a aura perdida das grandes feiras mundiais que começaram em Londres, em 1851, e que deram, por exemplo, a Torre Eiffel a Paris. A cidade investiu 355 mil milhões de patacas no evento e continua repleta de exércitos de trabalhadores a ultimar pormenores num ambiente de grande frenesim.
A área toda tem 5,28 quilómetros quadrados, o equivalente a 990 campos de futebol ou quatro vezes mais do que a última exposição mundial - em 2005, na cidade japonesa de Aichi. "Esperámos 150 anos para ter uma exposição no nosso país. Agora conseguimos ter sucesso nos Jogos Olímpicos e nisto. E fico ainda mais feliz por termos pessoas dos outros países a visitarem-nos: significa que a China se está a afirmar perante o mundo", regozija um chinês de 77 anos citado no jornal Guardian.
Mais do que um estímulo económico à cidade, a feira mundial tem um propósito doméstico. A Expo de Xangai - a mais concorrida de sempre, com a participação de 192 países e 50 organizações internacionais - é também "uma grande oportunidade para a diplomacia pública". "Devemos assegurar que aqueles que visitem ar a Expo levem para os países uma compreensão mais profunda da China moderna", disse Zhao Qizheng, antigo ministro do Gabinete de Informação do governo e director da Faculdade de Jornalismo e Comunicação da Universidade do Povo, em Pequim.
Os chineses insuflam o ego com os feitos da nação, mas há muitos que não esquecem o desemprego crescente nas zonas urbanas, a corrupção, o preço exorbitante do imobiliário nas grandes cidades ou a dificuldade no acesso a bens e serviços prestados pelo Partido Comunista.
Dedicada ao tema "Melhor Cidade, Melhor Vida", a exposição arranca, ironicamente, sob a ameaça dos 18 mil habitantes de Xangai que viram as suas casas passadas a ferro por bulldozers aos serviço da nova cidade planifica. Esta semana as autoridades detiveram seis mil pessoas na quarta manifestação pré-expo em menos de dois meses.
Enquanto os chineses insistem que este será o maior evento de sempre, aumenta o número de observadores a opinar afinal não vai mostrar como Xangai evoluiu, mas sim o quanto falta para a cidade desenvolver-se. “Os Jogos Olímpicos de Pequim chamaram as atenções mundiais a mostrar como a China mudou tão rapidamente. Se esta Expo for um desastre, como tem grandes probabilidades de ser, a reputação do país será gravemente arrasada”, destaca um responsável pelo Pavilhão da Europa ao South China Morning Post.
Os seis dias de testes da feira foram caóticos e ficaram marcados pela desorganização. O sistema de segurança não funcionou, as pessoas não foram revistadas à porta, as praças de alimentação mostraram-se insuficientes e até as fechaduras das casas de banho tiveram de ser trocadas, depois de 80 pessoas terem ficado trancadas num único dia. Quando foi atingido o pico de visitantes diários – 400 mil -, foram registadas centenas de queixas devido às longas filas.
Nem a mascote do evento, o azul Haibao, ficou de fora das polémicas. Na internet adensam-se notícias que o boneco é extremamente parecido com Gumby, uma personagem de desenhos animados da televisão norte-americana. A empresa que desenvolveu o projecto diz ter ficado surpresa com a escolha de Haibao para mascota e jura que nem sabe quem é o irmão Gumby.

CAIXA
Os eventos que movimentam a Expo
30 de Abril
Cerimónia de abertura com fogos de artifício ao longo do rio Huangpu, que atravessa a metrópole económica e financeira chinesa.

1 de Maio
Primeiro dia da Expo; mais de 600 mil visitantes são esperados

13 de Maio
Concerto "Jazz, uma tradição americana", com a participação de Herbie Hancock, Dee Dee Bridgewater e o Instituto Thelonious Monk

2 de Junho
Dia da Itália, com um convidado especial, o compositor Ennio Morricone, autor de mais de 500 partituras para filmes, dentre eles os "Western Spaghettis"

10 de Junho
Dia de Portugal, com programação baseada no fado

21 de Junho
França celebra a sua Festa da Música

17 de julho
Artistas de Bollywood desembarcam nas margens do rio Huangpu. Actores, cantores e bailarinos celebram os 40 anos desta fábrica de sonhos indiana

8 de Setembro
Grã-Bretanha lançará mundialmente o "Swanning Around", um espectáculo de dança inspirado no ballet "O Lago dos Cisnes"

22 de Setembro
Dia de Macau com folclore português e artes marciais

1 de Outubro
Festa nacional da China

31 de Outubro
Fim das festividades, cerimónia de encerramento.

CAIXA
Números
Área total de 5,28 quilómetros quadrados ou 990 campos de futebol

192 países e 50 organizações internacionais

70 milhões de visitantes esperados

5% de visitantes estrangeiros

355 mil milhões de patacas

5400 milhões de patacas para remodelar zona ribeirinha

355 mil milhões de patacas de investimento total (dado oficial)

600 mil milhões de patacas de investimento segundo especulações da imprensa

Entre 90 e 200 yuan é quanto custam os bilhetes


Pavilhões imperdíveis

Macau
O Pavilhão de Macau, na zona do Pavilhão da China e adjacente ao de Hong Kong, tem uma altura de 19,99 metros, para simbolizar o ano da transição de administração de Portugal para a China e tem a forma da "Lanterna do Coelhinho", um elemento da tradição chinesa, prevendo-se que receba uma média de oito mil visitantes por dia.

Portugal
O pavilhão português tem 2000 metros quadrados e é revestido a cortiça. No seu interior estarão referências históricas (os Descobrimentos estarão bastante representados) e a alguns dos símbolos do país (como as arcadas do Terreiro do Paço). A organização espera três milhões de visitantes a querer saber mais sobre Portugal.

China
É o mais vistoso de todos os pontos do parque.

Hong Kong
Estrutura metálica de três andares , com o andar do meio revestido a vidro.

Taiwan
Fica na mesma zona de Hong Kong e Macau e tem a forma de uma grande lanterna.

Arábia Saudita
Barco suspenso em forma de meia lua, com palmeiras de tâmaras no topo.

Japão
Expressa a harmonia entre o coração humano e a tecnologia.

Espanha
Imita um cesto gigantesco de vime.

Brasil
Revestido de verde, invoca as suas florestas tropicais e o dinamismo das suas grandes cidades.

Austrália
Inspirado no monólito Ayers, tem as paredes curvilíneas e o interior na cor ocre.

Holanda
Tem a forma de um oito e as suas ruas levam a 28 casas.