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Inês Infante é um dos novos reforços da lista que se vai recandidatar à direcção da Associação dos Amigos de Moçambique. O Hoje Macau foi conhecer a estudante moçambicana, os seus planos para a organização e a sua relação com o território.
Alexandra Lages
É uma das três caras novas que vão integrar a direcção da Associação dos Amigos de Moçambique (AAM). Inês Infante é uma estudante moçambicana que há três anos ganhou uma bolsa para estudar Direito na Universidade de Macau. Não escondendo o entusiasmo de pertencer à organização que a recebeu de braços abertos, a jovem confessa ainda não ter as “ideias bem assentes” quanto ao trabalho futuro.
As eleições para os corpos gerentes da AAM realizam-se amanhã às 16h00, na sede da instituição, localizada na Avenida da Praia Grande. A única lista candidata não apresenta alterações de fundo. À cabeça da direcção continuará Helena Brandão, com Carlos Barreto a ocupar o lugar da vice-presidência. No entanto, na direcção haverá sangue novo. São três estudantes, todas raparigas.
Inês Infante explica ao Hoje Macau que o posto que lhe está destinado combina com o tempo que tem disponível. É uma maneira de ser útil, sem assumir grandes responsabilidades.
“Como suplentes, temos a oportunidade de marcar presença e contribuir de vez em quando. Sendo estudante, não posso estar a prestar serviços permanentemente. A par disso, para ocupar um cargo mais alto é preciso ter muita influência”, defende.
Embora sem planos concretos relativamente à vida associativa, a futura advogada já sabe bem o que falta à AAM. É um desafio conhecido da actual direcção. É preciso batalhar mais contra a dispersão da comunidade.
“A meu ver, a associação deve mostrar que o grupo moçambicano também existe em Macau e promover a nossa cultura. Para além disso, é também necessário juntar os próprios moçambicanos. A comunidade está dispersa. Neste sentido, a associação é um dos meios mais relevantes para a unir”, salienta.
O mergulho de cabeça na vida associativa de Inês significa ainda uma forma de retribuição pelo apoio até agora recebido. “Nós, estudantes, temos muito a ganhar com a associação, porque faz de tudo para nos ajudar”, sublinha.
A chegada do grupo de bolseiros onde a jovem estava inserida coincidiu com o ano de reactivação da AAM. Foram os membros da organização os principais anfitriões dos estudantes. “As pessoas da associação fizeram convívios, falaram-nos e deram conselhos de como era viver aqui. Recebemos muito apoio.”
Por isso, conta Inês, a ligação com a instituição lusófona existe desde o primeiro dia que chegou à RAEM. “O primeiro contributo que demos foi na Festa da Lusofonia. Com trajes tradicionais dançámos na tenda de Moçambique”, recorda.
Uma longa história
Actualmente, a estudante está a realizar os últimos exames do terceiro ano do curso de Direito. “Faltam dois anos para terminar, se tudo correr bem”, aponta. O futuro após a licenciatura é um assunto que já domina os pensamentos da estudante moçambicana. Não tem, contudo, um plano definido. A única preocupação é encontrar muitas alternativas. “Gosto de manter uma total abertura. Não quero ter já um caminho traçado”, destaca.
Mesmo assim, a jovem tem alguns projectos na manga. Embora a Ordem dos Advogados de Moçambique não reconheça os estágios feitos em Macau, Inês pensa ficar por cá durante mais alguns anos. Mas não há garantias de nada. O facto de ser bolseira pode implicar uma ordem de regresso do Governo moçambicano.
“Em parte, gostaria de ficar na RAEM para ganhar experiência e desenvolver as capacidades intelectuais como profissional. Aqui, ganha-se uma noção mais aberta do mundo que é hoje e não do mundo de ontem. Moçambique ainda está neste último patamar”, critica.
Um mundo mais aberto ao mundo. Era o que Inês procurava. “Desde pequena que sempre quis estudar fora, mas o meu pai recusava. Por fim, impôs uma condição: sim, mas só após a escola secundária”, diz entre risos.
O resto “é uma longa história”. Como se recusou a ir para Portugal, a jovem teve que optar pela bolsa. “Foi o que fiz, mas só havia na área de Direito. No início, não estava nos meus planos mas, como queria sair do país, optei por ir adiante. Confesso que no primeiro semestre foi difícil. Depois apaixonei-me pelo curso. É complexo, mas bonito. Aprende-se muitas coisas e está relacionado com praticamente tudo.”
A China, diz, já estava no seu destino. “No início, ganhei uma bolsa para Pequim. Só que no meu país há a prática de compra de bolsas e acabei por perder a minha, sem saber como. Já tinha tudo preparado”, lamenta.
Macau foi amor à primeira vista. A adaptação foi fácil. “É uma região muito interessante. Aprendi muitas coisas e vi culturas diferentes. É uma oportunidade para desenvolver vários aspectos pessoais. Assim, não me limito à televisão como acontecia em Moçambique. Aqui estou em contacto com europeus, asiáticos e também com outras pessoas de países lusófonos”, nota.
Um sentimento que não é, todavia, suficientemente forte para a desprender da sua terra. “Para ser sincera, eu quero voltar. O bom filho à casa torna. Por mais anos que demore, um dia vou regressar.” Só a data é que ainda não está marcada.
Depois do curso e de ganhar alguma experiência, Inês pretende concorrer para outra bolsa, na área do turismo. Talvez também em Macau. Os objectivos apontam, novamente, para o seu país. “Em Moçambique, o turismo promete muito.” Depois, é ver mais mundo e absorver mais experiência. “Só quando sentir que estou realmente rica em conhecimentos é que pretendo voltar.” |
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