Director: Carlos Morais José
 

--- 09-12-2009 ---
Boicote, acusam os democratas
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Boicote, acusam os democratas
Kahon Chan --

ANMD troca argumentos com IACM sobre manifestação de dia 20

A Associações Novo Macau Democrático acusou ontem o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais de boicotar a promoção da manifestação agendada para o próximo dia 20, data da tomada de posse de Chui Sai On como Chefe do Executivo, e do décimo aniversário da RAEM.
Os democratas queixam-se de que o IACM só permitiu à ANMD afixar quatro cartazes de promoção daquela iniciativa invocando motivos ligados aos “bons costumes”. Na internet, as próprias discussões estão a ser desviadas do tema da manifestação convocada pelos democratas, contestam.
O tema da manifestação prende-se com o combate à corrupção, luta pela democracia e melhor qualidade de vida e, ao longo do caminho, deverá versar questões mais polémicas da administração como as concessões de terras, a eleição por assembleia do Chefe do Executivo, trabalho ilegal e as políticas de habitação pública.
O início está marcado para as 14 horas de dia 20 no mercado Iao Hon. O percurso em direcção à sede do Governo deverá começar no Jardim Triangular, seguindo depois pela avenida do Almirante Lacerda, avenida Horta e Costa, Sidónio Pais, Tap Seac, rua do Campo, avenida de D. João IV, Infante D. Henrique e Panorâmica dos Lagos Nam Van. Uma concentração terá, depois, lugar no espaço junto ao Centro Náutico da Praia Grande.
A ANMD diz ter já apresentado o pedido ao IACM com quem terá uma reunião amanhã nas instalações da Polícia de Segurança Pública de modo a discutir os pormenores do protesto. A associação sublinha que, segundo a legislação de Macau, não há necessidade de obter autorização para este tipo de iniciativa mas, ao mesmo tempo, manifestou disponibilidade em discutir um percurso alternativo caso a contra-proposta do IACM for razoável e os argumentos convincentes. Au Kam San fez notar, a propósito, que se receberem uma proposta para iniciar a manifestação junto ao Hotel Sintra nem sequer será considerada.
O deputado e dirigente da Associação não quis adiantar o número de participantes previsto uma vez que “a questão da democracia é uma reivindicação contínua e, por isso, não importa o número de manifestantes é irrelevante para um movimento cumulativo”.
Au adiantou que, até agora, a ANMD não dirigiu qualquer convite de participação a associações locais a exteriores a Macau mas não vão impedir ninguém de expressar o seu ponto de vista e a sua posição política desde que não seja contraditórias com as razões deste protesto.
O deputado referiu-se a um post anónimo colocado no fórum de debate da CTM em que convocava uma manifestação para o mesmo dia mas em que o tema se referia à “libertação de presos políticos” e ao “fim do partido único na China”. Au Kam San assegurou que o protesto convocado pela ANMD se vai concentrar apenas nas questões da corrupção, democracia e qualidade de vida considerando aquele post uma tentativa de “complicar a mensagem política” e que se manteve assim ambígua na net de maneira a aumentar os equívocos junto dos internautas.
O dia da manifestação vão estar em Macau, figuras do aparelho de Estado chinês como o presidente Hu Jintao, mas o responsável pela manifestação garantiu que não pretende contactar, de alguma maneira, com as cúpulas chinesas. “A manifestação não vai tentar chegar até aos líderes. Isso só aconteceria se a população de Macau assim o entendesse”. Au Kam San disse ainda que dirigiu um pedido ao IACM para afixar trinta cartazes de propaganda desta manifestação mas só quatro foram aprovados e todos no jardim do Iao Hon. O deputado afirma que o IACM terá justificado apenas quatro com “a segurança dos transeuntes”, “a protecção da paisagem da cidade”, “ a salvaguarda da qualidade ambiental”, o “respeito pelos bons costumes” e “a legalidade e adequação”.
“Uma situação sem precedentes”, reage Au já que, em anos anteriores, recordou, temos normalmente seis ou oito ou dez cartazes aprovados. Por isso, admite que esta decisão do IACM constitui uma tentativa de boicotar a divulgação da manifestação”.
O presidente do IACM, Tam Vai Man, confirmou a situação reiterando que “ os espaços públicos estão abertos a todos os residentes e não apenas a uma particular associação”. Tam disse que é natural que as várias partes considerem importantes sítios e localizações diversas mas ao IACM cabe “tomar decisões justas e adequadas”.Um fonte do IACM adiantou ao Hoje Macau que houve associações que já ocuparam vários espaços com publicidade às suas iniciativas de celebração dos dez anos da RAEM e que o IACM terá tomado esta decisão “para evitar eventuais confrontos”.