Director: Carlos Morais José
 

--- 11-09-2007 ---
Fringe a brincar
Milhões e karaoke
Peço desculpa





Espectáculos de rua, workshops, dança contemporânea, em Novembro, por toda a cidade

Fringe a brincar
Carlos Picassinos --

Teatro, artes visuais, workshops, dança, malabarismo, espectáculos de circo e de rua, um programa familiar, e artistas oriundos de doze países vão marcar a sétima edição do Festival Fringe de Macau, que este ano decorre entre 10 e 25 de Novembro.
Tal como em edições anteriores, o festival, uma organização do IACM com duas associações locais, abre com a parada de artistas e participantes entre as Ruínas de São Paulo e o Largo do Leal Senado. O programa teatral inaugura nos dias 11 e 12 de Novembro com um espectáculo do grupo “Step Out” intitulado Cai Fora, no Espaço Pobre. Os “Step Out” são um grupo constituído em 2001 cujas propostas de educação pela arte se vinculam a um projecto mais vasto de arte para o público. Ao longo dos anos têm vindo a participar em várias edições do festival Fringe, seja em Macau, seja na Coreia do Sul, em Seúl, ou em Taipé, através de projectos ligados à infância e à população em idade escolar. No âmbito teatral, depois dos “Step Out”, a programação conta com apresentações, a 13 e 14, do grupo da Escola de Artes da Universidade de Shenzen, de uma proposta intitulada “Fat Bird”.
Nos dias 16 e 17, “A Mala”, pelo grupo Hope Chiang & Out To, aborda questões ligadas à memória e à infância a partir da tragédia de uma criança judia em plenos acontecimentos da II Guerra Mundial. A organização não disponibilizou informação acerca do local onde este espectáculo será encenado.
No Jardim Luís de Camões, a 18 e 19, às 19h30, é encenado “Vanishing Point Between Us”, por Chan Pak Tim. Uma das primeiras novidades estrangeiras deste festival é “O Regresso”, pelo Teatro Nottle, de Seul. Estreia no Armazém do Boi. Na programação teatral surge também “Stay full” pela Associação de Teatro Long Fong, uma enésima variação sobre o impacto na cidade do crescimento da economia e da nova prosperidade que a indústria do turismo e do jogo trouxe a Macau. Vai ser encenada na Casa de Chá do Jardim de San Kio. A companhia foi criada em 1997 e, entre os seus objectivos iniciais, conta-se a promoção do interesse dos jovens pelas questões artísticas e culturais.
No campo das artes visuais, a programação do Fringe tem início no dia 10 de Novembro, no espaço da Old Ladies House, com “Espero por ti na esquina” – um projecto da Escola São João de Brito para o Armazém do Boi. Entre o dia 12 e 24 está previsto para a Rotunda Carlos da Maia, “O Dependurado”, da autoria de Wong Ka Long & Artzone. A organização não esclarece que tipo de projecto se trata. Tal como não esclarece, exactamente, que projecto de arte visual é “Macau, brilhante, brilhante, brilhante” que inaugura também a 10 de Novembro, e se prolonga até 25, no Espaço do Gato e nos bairros antigos da cidade. “Carregue e Descubra” é o nome de outro projecto da Associação Audovisual CUT. O espectáculo está agendado para entre os dias 11 e 18 na sede da CUT. Sobre o que se trata também não existe informação disponível em português. Os “Step Out”, contam ainda com uma participação no programa de artes visuais do Fringe com “Where do you go? Our Childhood”, outra vez no Espaço Pobre, de 13 a 18 de Novembro. A Comuna de Pedra inaugura o programa de dança do festival. Nos dias 17 e 18 encenam “CREB: Camp response element-bidding”. Segue-se depois “Did, Splendid”, pela Associação de Dança Violeta de Macau, no Jardim de Camões, às 19h30 dos dias 24 e 25. No âmbito musical, Raul Saldana e Heidi Che, depois dos workshops para crianças animadas em Julho e Agosto passados voltam a Macau para participar no Jardim de Camões, de 11 a 13, num projecto intitulado “Kumara+Anaidcram”, em que participa a artista portuguesa Diana de Melo Rego com o espanhol Marc Planells Safont. Entre os artistas portugueses surge ainda, sem mais informação, o nome de Band Ricardo Passos que também actuará, nesses mesmo dias, no Jardim de Camões.

Workshops e palhaços

Uma das propostas mais originais deste Festival reside no conjunto de workshops que vão estar abertos à população. Logo no início do festival, o programa de workshops fica marcada pela presença do Giant Puppet, um grupo oriundo da Austrália, mais a Comuna de Pedra, sobre linguagem corporal em colaboração com o Teatro Nottle da Coreia do Sul. Mais teórico, “The Art of Money”, por Cecily Tang, do Colégio de Artes de Victoria, Melbourne, na Austrália, conduz um seminário dedicado às questões da gestão financeira e de organização de eventos culturais.
“Dance to the End of the World”, por elementos da Escola de Artes de Melbourne, é outro dos workshops previsto em que serão exploradas uma série de técnicas de dança clássica e contemporânea.
O programa familiar do Fringe é talvez o ponto mais variado de todo este cartaz. Começa a 12 e vai até 17, o espectáculo de palhaços do californiano Jonh Adam Badgley, intitulado “The Street Psycho”, no Largo do Leal Senado e no Jardim do Iao Hon. Nessas datas coincide Mirko Trierenberg, do Canadá, que prossegue a série “The Street Psycho”, nos mesmos locais. Mirko é, originalmente, alemão de Berlim, e tem um longo curriculum de actuações em espectáculos, festivais de rua, e ainda em circos. Da Austrália, apresentam-se os Flame Oz, uma companhia de artistas e malabaristas que trazem às Ruínas de São Paulo um espectáculo de fogo.
A terminar a programação do festival, no dia 25 está ainda previsto simpósio, organizado pela Associação de Audiovisual de Macau “Cut”, intitulado “As Cidades do Fringe”.