| |
|

|
| E mais nada |
|
|
|
| | | Juristas consultados pelo jornal Ou Mun garantem que, na sequência de acórdão do Tribunal de Segunda Instância, 80% dos Regulamentos Administrativos estão feridos de irregularidade. Não me parece que seja caso para levar as mãos à cabeça. Nisto da interpretação das leis há sempre mais do que uma douta opinião e certamente que será encontrada uma habilidosa solução. Não sei quem tem razão mas como o direito se escreve, na maior parte dos casos, por linhas tortas, o caso só me interessa de um ponto de vista desportivo: quem será o caçador, como morrerá a presa, quem dividirá os despojos? E mais nada.
Acordei verde. De inveja. Então a Tribuna de Macau vai passar a sair todos os santos dias da semana... Sete dias, sete edições. Segundo o seu director, o nosso colega José Rocha Dinis, um jornal diário só o é quando sai todos os dias. Ora isto levanta, antes de mais, uma interrogação: que tipo de jornal tem sido a Tribuna? Um hexa-semanário? Não é fácil responder, confesso. Mas, como se sabe, Macau é uma terra de mistérios e coisas únicas, portanto não é de admirar que por aqui se dêem estes fenómenos de fazer inveja ao Entroncamento. Quanto ao Hoje Macau, é simples: a mão-de-obra que as nossas finanças nos permitem contratar não chega para os fins de semana. Para já. E depois também quero aparecer na televisão.
Por falar na TDM é tempo de dar os parabéns ao canal da Xavier Pereira por, uma vez mais, ter assegurado a transmissão em directo dos jogos do Mundial. É bom que a TV de Macau seja o nosso canal e que assim sirva a população. E assim vamos ter a oportunidade de assistir a todos os belos jogos, com as grandes vedetas e comentários em português. Ups... Vamos lá ver se desta feita existe mais do que um comentador ou convidado por jogo no estúdio. Convém, a ver se ninguém adormece... E, já agora, no canal chinês, a ver se a TDM aproveita o certo pico de audiências para se promover a si própria junto dos habituais espectadores da TVB e da ATV. Algumas iniciativas relacionadas com o Mundial (concursos, etc.) não devem ser más para fidelizar as pessoas.
O presidente do Irão deve estar apaixonado por George W. Bush. Porque lhe escreveu uma carta ridícula. Entre outras profecias, Ahmadinejad quer o fim da democracia liberal e propõe um governo baseado na justiça do deus monoteísta e nos profetas. Chega mesmo a propor a Bush um passeio (espero que seja a Brokeback Mountain) para discutirem o mundo dominado pelos homens embriagados de deus. Que lhes faça bom proveito. Quanto a mim, não esperava ainda ter de ler este tipo de discurso no século XXI. Não esperava que a humanidade regredisse tanto em tão pouco tempo.
Depois de pensar um pouco no assunto, chego à conclusão que Bush e Ahmadinejad não estão tão distantes como parece. Nenhum dos dois é de confiança. E ambos partilham o mesmo ódio a uma série de conquistas que o Ocidente conseguiu durante os anos 60 e 70. Nomeadamente as que estão relacionadas com os direitos dos indivíduos fazerem o que lhes apetece com as suas vidas. Ambos são reaccionários como Torquemada. Malta que considera ser a religião o eixo vertical da existência daria vontade de rir, se não estivessem sentados em cima de armas nucleares e da liberdade do povo. Quantos já morreram em nome de Deus? E o mundo ficou melhor? Sim, graças aos que os combateram, em nome da liberdade e da dignidade. Com líderes destes, o mundo está mesmo perigoso.
Por falar em religião, estreia hoje o Código Da Vinci. Não li o livro, não vou ver o filme. Não dou esmolas na rua. Não me dêem vontade de rir. Está institucionalizada a fraude, a mediocridade, a mentira. Duas provas: “O Código Da Vinci”, “1421”, de Gavin Menzies, dois sucessos mundiais. Ridiculariza-se a História, fomenta-se a cultura de almanaque, feita de curiosidades, normalmente falsas. Não interessa, já vendeu, já todos esquecemos, que o esquecimento é muito bonito. Enriquecer é que é glorioso, o resto que se...
Leio de Tolstoi duas pequenas novelas. “A Sonata Kreutzer” (traduzida para português com o título de “Ensaio sobre o ciúme”) e “A tortura da carne”. Que prazer, meus caros e distantes leitores! A Sonata Kreutzer, para violino e piano, foi escrita por Beethoven e dedicada a Rodolphe Kreutzer, o maior violinista da sua época que, aliás, nunca a tocou por a considerar “impossível”. Já Tolstoi cria a seguinte situação: um marido afirma que a sua esposa e respectivo professor de música têm, de certeza, um caso. E porquê? Pelo modo como tocam juntos a referida sonata. Será verdade? Recomendo rapidamente a leitura e também a audição da peça. Depois digam-me qualquer coisa.
O pior da semana: fui ver o Basic Instinct II. Saí a meio. Era tudo demasiado mau, demasiado previsível, estupidamente requentado. Para quando uma cinemateca em Macau? A pobreza do panorama é demasiado grande, cá fora a panorâmica também. Se não fosse a oferta de Zhuhai este território seria mesmo um deserto em termos de cinema. Será que o governo tem alguma política para o audiovisual? Ou não tem tempo para pensar no assunto?
Por falar disso: quando é que a MGM, a Warner Brothers e outras distribuidoras me trocam os meus lasers por DVDs? Sinto-me roubado, espoliado, enganado, por ter confiado nesta gente e agora me ver agarrado a um formato que não pode ser visto por já não existirem aparelhos. O que eles mereciam era um processo... Mas, a julgar pelo modo como vai a justiça, o melhor mesmo é esquecer e dar mais um passeio ali a Zhuhai. E mais nada. |
|
|
|