Director: Carlos Morais José
 

--- 21-07-2009 ---
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Preservar o legado

Academia de Verão para jovens macaenses proposta em plenário
Paulo Barbosa --

Algumas das 56 pessoas que vieram do estrangeiro para participar durante esta semana no primeiro encontro da comunidade juvenil macaense serão, muito provavelmente, “os futuros dirigentes das Casas de Macau espalhadas pelo mundo”, resumiu ontem José Sales Marques, que preside à iniciativa. E a substância das intervenções no plenário que marcou a manhã coincidiu na formulação de propostas que visam garantir a coesão de esforços entre as casas, assim como a passagem dos valores da cultura macaense às gerações que já não têm um contacto directo com a RAEM.
Sales Marques referiu que tem havido um renascimento da cultura macaense, o que, na sua opinião, se deve ao facto “de Macau ter que se definir num contexto de um país enorme como a China”. Fenómenos como o patuá, a língua crioula que durante muito tempo foi proibida nas escolas, ou a cozinha macaense têm sido alguns dos mais valorizados, considerou o economista, salientando ainda a importância da questão da educação para um melhor conhecimento do que é Macau.
Algo que poderá ser alcançado “através da vinda de elementos das várias casas a Macau com uma certa regularidade, por exemplo através da criação de uma espécie de academia de formação no Verão, que forneça elementos relacionados com a cultura macaense e com a história de Macau”. Mas, como em tudo, há alternativas: “Também pode ser feito, com menos custos e abrangendo mais gente, se um grupo, talvez ao abrigo do Conselho das Comunidades Macaenses, for constituído para percorrer algumas das casas e tentar transmitir a cultura”, propôs.
Vários jovens estabelecidos no continente americano sublinharam a dificuldade que têm em ter um contacto directo com a cultura macaense, dado que essa cultura não é absorvida “in loco”, sendo antes transmitida pelos familiares. Algo que Sales Marques enquadrou historicamente. Sendo certo que a comunidade partiu originalmente de Macau e de Hong Kong, mas teve alguma ligação efectiva a Macau, “este grupo de jovens é diferente”, analisou. “Já nasceu no exterior, a sua ligação a Macau é feita por intermédio dos pais”, sublinhou.
Para ultrapassar as distâncias geográficas, a principal receita avançada pelos intervenientes já havia sido “servida” no jantar de abertura do evento e tem como ingrediente principal as novas tecnologias da informação. Todos concordaram que as redes sociais constituem uma ferramenta fundamental e que será importante criar uma rede internacional através da qual as casas estejam sempre em comunicação. Sales Marques considera a ideia exequível, até porque dentro do grupo há muitas pessoas com formação em informática. Na opinião do economista, “para que a rede esteja sempre ligada a Macau, o território deverá produzir informação que a alimente nos aspectos da actualidade, história e cultura”. Seria, no fundo, uma espécie de Facebook desenhado especificamente para as comunidades macaenses. “Isso ajudará a criar entre os jovens a noção de que são uma comunidade internacional com raízes em Macau, o que me parece uma ideia muito bonita”, complementou Sales Marques
Ideia essa que já está a ser posta em prática. Justin Schwab, representante da Casa de Macau de São Francisco e empresário na área das tecnologias de informação, adiantou ao Hoje Macau que está desenvolver uma rede específica para facilitar a comunicação entre os membros daquela casa espalhados pelos Estados Unidos, um conceito também exportável para outras casas

São Paulo modelar

No plenário, foi apresentado o exemplo do “comité jovem” da Casa de Macau de São Paulo. Dispondo de instalações “bem bacanas”, como frisou a representante Adriana Luiz, a casa paulistana “pode ser vista pelos outros como modelo”, defendeu. “No que respeita a actividades específicas para a nova geração, julgo que estamos na frente em relação às outras casas porque começámos em 2005 e o nosso trabalho foi pioneiro”, rematou.
Com 57 associados, o núcleo jovem foi criado com o objectivo de preparar o legado da cultura macaense para as próximas gerações, envolvendo os mais novos nas decisões gestionárias da casa. As actividades desenvolvidas até agora abrangem domínios como as viagens, o teatro (em língua portuguesa e patuá), a música (danças típicas e dinamização de uma banda) e desporto (futebol, voleibol, badminton e hóquei em campo). Adriana traçou as linhas de actuação do comité, que pretende implementar no futuro aulas de gastronomia macaense, bem como de aprendizagem de chinês e patuá. O grupo quer também promover o intercâmbio com grupos de outras casas de Macau e criar um site onde estejam visíveis as notícias e agendas da Casa e São Paulo.
Ontem, depois do plenário, os jovens participantes marcaram presença numa sessão de esclarecimento organizada pela Direcção dos Serviços de Turismo, na qual se falou sobre as possibilidades de Macau no domínio da realização de convenções, uma área na qual as autoridades do território têm apostado forte.