Director: Carlos Morais José
 

--- 21-07-2009 ---
Sporting de Macau prepara o regresso aos relvados
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Verdes Anos

Sporting de Macau prepara o regresso aos relvados
Marco Carvalho --

O dragão e a águia já por cá andavam e agora chegou a vez do leão (também) mostrar a sua raça a Oriente. O processo de reactivação do Sporting Clube de Macau – filial número 25 do clube de Alvalade e uma das agremiações desportivas mais antigas do território – deverá estar concluído esta semana, com a publicação em Boletim Oficial dos estatutos da colectividade.
O reconhecimento institucional do núcleo dos leões de Macau por parte das autoridades do território coloca um ponto final a uma epopeia desencadeada há cerca de um ano por António Conceição Júnior. Em Novembro de 2008, o projecto ganhou forma e substância, com a entronização de uma comissão instaladora encarregue de organizar as primeiras eleições do clube em mais de vinte anos. A 15 de Fevereiro, mais de meia centena de sócios elegeram Conceição Júnior para a direcção do clube e Frederico Rato para a presidência da mesa da Assembleia Geral e desde então o Sporting Clube de Macau não tem parado.
A colectividade conta já com mais de uma centena de associados (treze dos quais com estatuto de sócios juvenis) e desde que a direcção foi empossada há meio ano, os leões do território modernizaram o visual – com a adopção de um emblema estilizado – e reservaram para o arraial de São João a primeira grande manifestação pública de vitalidade, ao marcar presença nas festas do dia da cidade com uma pequena tenda que para além de informação sobre o clube, disponibilizava também alguns comes e bebes.
Como não há Sporting sem futebol e como os leões já começavam a fazer falta ao panorama do desporto-rei do território, a reabilitação da alma sportinguista a Oriente faz-se já, e desde o início de Junho, também dentro das quatro linhas. Depois do FC Porto e do Sport Lisboa e Benfica, o outro grande do futebol português não quer deixar passar em branco a oportunidade de brilhar na RAEM e é com um objectivo claro em mente – a subida à terceira divisão – que o plantel leonino tem vindo a treinar todas as semanas nas instalações do Centro de Hockey da Taipa, embora a equipa não esteja ainda definida.
O horizonte derradeiro (e pressuposto que fundamenta a constituição do próprio grupo de trabalho) do Sporting Clube de Macau é inevitavelmente a subida à primeira divisão, invariavelmente no mais curto espaço de tempo. Para tal, a direcção do clube verde e branco conta com a experiência de dois pesos pesados do futebol do território. Mandinho e Paulo Conde, atletas que vestiram a camisola de alguns dos principais emblemas de Macau, responderam de forma positiva à chamada do coração e vão dividir o protagonismo no comando técnico da formação leonina.

Trabalhar
passo a passo

Aos 39 anos, Paulo Conde troca os relvados pelo banco e dá assim um novo rumo à carreira. O antigo atleta do Negro Rubro e do Hoi Fan, “sportinguista de alma e coração”, diz que aceitou quase sem ponderar o desafio lançado pelos responsáveis pelo Sporting Clube de Macau e quer agora levar os leões do território ao convívio dos grandes do futebol da RAEM. “O projecto do Sporting Clube de Macau está agora a arrancar, mas a nossa meta é a primeira divisão. Temos a noção de que temos um caminho longo pela frente e de que não podemos colocar o carro à frente dos bois, mas o que nos foi pedido – a mim e ao Mandinho – foi que conduzíssemos o Sporting ao principal escalão de futebol de Macau e é para isso que vamos trabalhar, passo a passo”, explica.
Para levar a formação verde e branca à divisão cimeira do futebol do território, Paulo Conde conta com atletas como Luís Monteiro, José Abecassis, o inglês Simon Williams ou o recém-chegado Pedro Maia.
As regras de acesso ao terceiro escalão ainda não estão definidas, mas a formação leonina terá quase inevitavelmente de se submeter ao mesmo tipo de odisseia pela qual enveredou este ano a Casa do Sport Lisboa e Benfica em Macau para assegurar um lugar por entre as formações que disputam o campeonato da Terceira Divisão. A Liga Júnior – prova criada esta época pela Associação de Futebol de Macau para tornar mais competitivo o acesso ao escalão superior – é disputado na variante de sete e essa é a principal razão pela qual o plantel sportinguista para a próxima temporada não deverá ser composto por mais de dezasseis atletas.
Para Luís Monteiro, a reabilitação do Sporting Clube de Macau, vem ajudar a colmatar uma lacuna, ao mesmo tempo que traz um colorido novo ao desporto-rei do território. O (novo) criativo do meio-campo leonino acredita que a rivalidade e o antagonismo que opõem os três grandes de Portugal podem ser recriados no Oriente, ajudando a levar mais adeptos aos estádios de Macau. “Depois do sucesso que tiveram o Porto e o Benfica, o Sporting tem quase a obrigação de ser também bem sucedido. A existência de três formações de cariz português no futebol de Macau pode trazer uma nova vitalidade à modalidade. Aqui ou em Portugal, um Sporting-Benfica é sempre algo que leva adeptos aos estádios”, arrisca.
A primeira divisão é o limite, mas o rugir do reabilitado Sporting Clube de Macau não se resume ao futebol sénior. Em paralelo com o projecto de dinamização do colectivo que deverá tentar na próxima temporada o assalto à Terceira Divisão, os responsáveis pelo clube tencionam incentivar uma segunda equipa, formada por jogadores juniores. A formação B dos leões de Macau poderá vir a competir também na edição de 2009-2010 da Liga Júnior, ainda que com objectivos mais modestos.